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Falta de mão de obra é apontada como principal problema para adoção de boas práticas na pecuária - Estudo com 250 produtores de Mato Grosso foi conduzido pelo IIS

 Estudo coordenado pela diretora do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professora do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Agnieszka Latawiec, e outros 10 especialistas das instituições colaboradoras do Brasil e do exterior, constatou que a escassez de mão de obra é o principal problema que afeta a adoção de boas práticas na pecuária, apontado por 36% dos 250 produtores consultados em Mato Grosso. Os altos custos da implementação das boas praticas foram apontados como segundo gargalo mais importante (de acordo com 18% dos produtores entrevistados).

Segundo a pesquisa, mesmo que o crédito esteja teoricamente disponível, ele não é necessariamente acessível para o produtor devido a burocracia extrema. A deficiência no acesso a serviços de extensão técnica foi apontada pelos produtores como uma barreira significativa, além da questão da qualidade dessa assistência, pois 40% da assistência técnica é atualmente fornecida por fornecedores de fertilizantes e outros produtos químicos. O estudo, que gerou o artigo Melhorar a gestão da terra no Brasil: uma perspectiva dos produtores publicado na revista cientifica Agriculture, Ecosystems & Environment, também identificou que para a maioria dos entrevistados (60%) o principal benefício da adoção de boas práticas agropecuárias era o aumento da produtividade, seguido por aumento de renda (43%) e melhor manejo administrativo da fazenda (34%).

De acordo com Agnieszka, este é o primeiro estudo a avaliar sistematicamente e quantitativamente as barreiras e as condições de adoção de boas práticas agropecuárias nas pastagens brasileiras levando em consideração opinião dos produtores, atores chaves envolvidos na implementação dessas práticas na Amazônia. “É absolutamente fundamental ouvir os produtores para chegarmos ao uso mais sustentável da terra no Brasil. Existem poucos estudos deste tipo, é necessário fazer a ponte com o produtor, de forma sistemática, quantificada e estatisticamente robusta, e trazer essa informação para os tomadores de decisão”, acrescentou.

Ela acrescenta que o Brasil ainda pratica uma pecuária de relativamente baixa produtividade em relação com o potencial sustentável que tem, com impactos sociais e ambientais muito significativos como o desmatamento na área ambiental. “Hoje, a média de produtividade nas fazendas da região estudada é de, aproximadamente, uma cabeça por hectare. Para ser sustentável, o ideal seria, pelo menos, dobrar essa média. Em algumas áreas no Brasil esse número é ainda pior. E com isso, grandes áreas foram desmatadas para sustentar a pecuária extensiva” explicou Agnieszka.

A adoção das boas práticas pode ajudar o produtor rural a melhorar a qualidade das pastagens e aumentar a produtividade (cabeças por hectare). Mas o estudo também aponta o possível efeito contrário dessa ‘intensificação sustentável’ - efeito rebote (‘rebound’). “É muito importante que qualquer intervenção na terra, como a intensificação, seja feita de uma forma sustentável e, no caso da intensificação, com aumento da produtividade controlada e complementada por políticas públicas de conservação, evitando a ocupação de novas terras e gerando menos desmatamento”, ressaltou Bernardo Strassburg, coautor do estudo e diretor do IIS.

O estudo mostra ainda outras implicações, como os efeitos negativos da pecuária extensiva que degrada o ambiente, o solo e a água, e que pode ser ruim para os animais, além de poder ser associada com pobreza e desmatamento. “Portanto, os resultados publicados nesse estudo são cruciais. A falha em considerar a opinião do produtor vai continuar a contribuir para a perda da vegetação nativa e da degradação do meio ambiente e, pode fazer com que o quadro de pobreza entre a população rural persista”, finalizou Agnieszka.

 Para acessar o artigo: http://www.iis-rio.org/publicacoes

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