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IIS organiza sessão no Global Landscape Forum, em Varsóvia

A sessão foi focada no novo código florestal brasileiro e nas oportunidades para restauração ecológica em grande escala. No Brasil, o novo código florestal irá impor o reflorestamento de 21 milhões de hectares, dos quais seis milhões deverão ocorrer no bioma da Mata Atlântica. A região hospeda dois terços da população do país e 70% de seu PIB. O bioma, que se estendia por 115 milhões de hectares ao longo da costa brasileira, perdeu aproximadamente 90% de sua área original e encontra-se agora dividida em pedaços altamente fragmentados, com 45% de suas espécies sobre risco de extinção. Mesmo em tal estado de degradação, a floresta ainda hospeda 7% do total da biodiversidade mundial. As razões acima levaram a Mata Atlântica a ser frequentemente chamada de “hottest of the hotspots”.

O primeiro palestrante do evento, o secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, Braulio Dias, enfatizou a importância dos esforços de restauração da Mata Atlântica no contexto do acordo de Nagoya de 2010, que definiu um plano estratégico global para a biodiversidade nessa década. Entre os 20 objetivos desse acordo, o 15º almeja a restauração de 15% dos ecossistemas degradados do planeta. Nesse contexto, dada a sua riquíssima biodiversidade, alto desmatamento histórico e sua provisão de serviços ecossistêmicos, a restauração da Mata Atlântica é crítica.

O próximo palestrante, Bernardo Strassburg, diretor executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade, introduziu o pacto para a restauração da Mata Atlântica, uma iniciativa que inclui 257 instituições, indo de governos municipais e federal ao setor privado, ONGs e universidades, com a meta de reflorestar 15 milhões de hectares até 2050. De acordo com o Dr. Strassburg, a estratégia envolve articular os diferentes atores em um esforço para aumentar a escala da restauração, através de prioritização espacial multi-objetiva e análises sócio-econômicas.

O terceiro palestrante, Arnaldo Carneiro Filho, da The Nature Conservancy, destacou a oportunidade de se construir uma nova economia florestal na região: com a maior parte da agricultura na região costeira deslocada para o interior, deverá haver menos competição pelo uso da terra na área da Mata Atlântica.

O quarto palestrante, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, diretor do departamento de conservação da biodiversidade do ministério do meio ambiente brasileiro, apresentou o plano do ministério de criar condições facilitadoras para o reflorestamento em grande escala da Mata Atlântica, transformando a implementação da restauração ecológica em um negócio novo e atraente. Dr. Scaramuzza arguiu que o desenvolvimento de uma economia da restauração requer uma mudança de paradigma: pesquisa e desenvolvimento são essenciais na redução dos custos da restauração. Aliada a criação de mecanismos que tragam lucro àqueles que invistam em reflorestamento, uma cadeia estruturada iria ajudar a criar empregos, reduzindo a pobreza e a desigualdade na região.

Finalmente, Dr. Strassburg terminou a sessão com o lançamento do projeto intitulado “Atlantic Rainforest Restoration for Conservation and Human well-being, Economic benefits, Research and development” (ARCHER). O projeto, relacionado a modelos de restauração economicamente viáveis, foi batizado em homenagem ao Major Archer, que recuperou a Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, durante o século XIX. O projeto é composto por duas fases: a primeira, entre 2014 e 2016, envolve investigações sobre os diferentes modelos de restauração; já a segunda (prevista para ser iniciada em 2015), é definida pelo aumento na escala da restauração, com os proprietários de terra locais restaurando suas propriedades e se adequando ao novo código florestal do país.

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