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Estudo que quantifica o carbono emitido pelo corte seletivo na Amazônia contou com a participação de pesquisador do IIS

O artigo publicado revista Global Change Biology, que quantifica o impacto de alterações seletivas na Floresta Amazônica e contou com ampla divulgação no Brasil, possui a participação de Toby Gardner, pesquisador associado ao Instituto Internacional para Sustentabilidade. O estudo conduzido por cientistas no Brasil e no Reino Unido afirma que uma série de fatores como corte seletivo de árvores, destruição parcial pelo fogo e fragmentação decorrente de pastagens e plantações podem estar subtraindo da floresta cerca de 54 milhões de toneladas de carbono por ano, que são lançados à atmosfera na forma de gases de efeito estufa. Esta perda de carbono corresponde a 40% daquelas causadas pelo desmatamento total.

O grupo obteve imagens de satélite e efetuou comparações de dois em dois anos, o que possibilitou que os pesquisadores construíssem um grande painel da degradação da floresta ao longo do tempo, em uma escala de 20 anos. Também foi realizada uma pesquisa de campo que avaliou as cicatrizes de fogo, da exploração madeireira e outras agressões. A combinação das duas investigações resultou na estimativa atual de estoque de carbono.

O ponto de partida da degradação é, frequentemente, a extração de madeiras de alto valor comercial, como o mogno e o ipê. Essas árvores são cortadas de forma seletiva, mas sua retirada impacta dezenas de árvores vizinhas. As aberturas na cobertura vegetal tornam a floresta mais exposta ao sol e ao vento, e, portanto, muito mais seca e suscetível à propagação de fogos acidentais. O efeito é fortemente acentuado pela fragmentação da floresta em decorrência de pastagens e plantações. A combinação dos efeitos pode, então, transformar a floresta em um mato denso, cheio de árvores e cipós de pequeno porte, mas com um estoque de carbono 40% menor do que o da floresta não perturbada, o que torna a questão mais preocupante em um contexto de mudanças climáticas global.

Toby Gardner atua no Stockholm Environment Institute (Suécia) e na Universidade de Cambridge (Reino Unido), e colabora como pesquisador associado no IIS desde 2012. O foco principal de seu trabalho é avaliar os desafios nas transições para sistemas de uso da terra mais sustentáveis ​​no Brasil.

Confira aqui a divulgação do artigo publicado pela Global Change Biology na revista Exame, e aqui para acessar o artigo completo.

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