Notícia

O desafio de conciliar investimentos econômicos com restauração ecológica

IIS e IUCN organizam debate sobre o projeto PILaR, que visa mobilizar o investimento privado para a recuperação da vegetação nativa no nordeste do Espírito Santo.

 

O Instituto Internacional para Sustentabilidade, em parceria com o International Union for Conservation of Nature (IUCN), organizou um debate no dia 12 de fevereiro, no Rio de Janeiro, para apresentar o projeto Private Investments in Landscape Restoration (PILaR), que tem o objetivo de atuar como um modelo de restauração ecológica ativa, com fins econômicos. O debate, que contou com a participação de representantes do Ministério do Meio Ambiente, Conservação Internacional, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fibria, contou ainda com a análise econômica e discussão dos principais gargalos e melhores estratégias de financiamento de projetos com esta finalidade.

O modelo será aplicado na região nordeste do Espírito Santo, mais especificamente a área de influência do município de São Mateus. Esta região foi selecionada em função de sua aptidão florestal, a existência de cadeias produtivas ligadas ao setor (celulose, madeira, produção de mudas, entre outras), e a pouca cobertura florestal. De acordo com o estudo realizado pelo IIS, o principal uso da terra é para a pecuária, sendo a produtividade potencial média das pastagens dessa região em torno de 33%. Esses resultados demonstram que os plantios de restauração podem ser realizados sem que ocorra uma perda na produtividade das pastagens. Após a apresentação foi aberto o espaço para discussões sobre o modelo, no qual foram abordados os investimentos necessários e a implantação de um modelo em escala, além do delineamento dos próximos passos.

O projeto PILaR

O projeto PILaR atuará na restauração ecológica com benefícios econômicos, ou seja, plantios comerciais ao lado de áreas que estejam em recuperação, e que privilegiem o uso de espécies nativas. No modelo que será aplicado na região de São Mateus além das espécies nativas haverá o cultivo do eucalipto, que é uma espécie exótica mas possui alto retorno econômico e relativamente pouco tempo de cultivo, além da existência da indústria de celulose na região.

A iniciativa prevê três diferentes cenários para o retorno financeiro: otimista, realista e pessimista, com premissas que consideram a produtividade da madeira, os valores das madeiras de espécies nativas e a taxa interna de retorno.  

A aplicação do modelo do projeto PILaR abrange os seguintes municípios do Espírito Santo: Sooretama, Conceição da Barra, Vila Valerio, São Mateus, Jaguaré, Boa Esperança, Linhares, São Gabriel da Palha e Nova Venécia.

Compartihe: